quarta-feira, 31 de julho de 2019

Agricultura eficiente com menor participação no PIB

Por Atanásio Mykonios


A Agricultura tem representado, gradativamente, um índice cada vez menor na composição do PIB mundial, tanto quanto no que se refere à mesma relação em diversos países. Nos países ocidentais, a Agricultura contribui com porcentagens menores do que nos asiáticos e em grande medida em países do continente africano. É extremamente sintomático observarmos como a agricultura evoluiu em seus processos produtivos, sendo capaz, por um lado, de alimentar toda a população mundial e, por outro, do ponto de vista do capital, a concentração de conhecimento, ciência e tecnologia, aponta para maior concentração da riqueza e a ampliação da fome, ironicamente em um mundo de grande abundância alimentar, em contraste com a escassez absoluta.

           No mundo, a Agricultura representa 3% do PIB mundial. Nos EUA, essa atividade econômica representa 1%, no Brasil, 4%, na França, 2%, na Rússia, foram 3% do PIB nacional. Enquanto isso, na Índia, a Agricultura detém 14% do PIB, na Nigéria, 21%, na Indonésia, 13%, no Sudão, 31%.
            Em termos de produtividade, a Agricultura é o setor da economia mais avançado, relativo aos demais setores da economia. Os avanços científicos, as pesquisas, a implantação de tecnologias e máquinas, a intersecção de conhecimentos variados, transformam a Agricultura no mais avançado setor da economia. Sua produtividade representa um dado importante, dadas as condições em que se situa, pois tem capacidade de nutrir toda a população mundial.
Sua industrialização avança a passos largos. Além do fato de que a alimentação fabril se tornou um campo da economia altamente produtivo e de ponta tecnológica. Em outras palavras, está cada vez mais barato produzir alimentos em escala mundial. 

  


Fonte: Banco Mundial. World Development Indicators: Structure of output.



O gráfico acima nos mostra que os países com menores participações da Agricultura no seu PIB nacional, são, em grande medida, os mais desenvolvimentos do ponto de vista dos avanços graduais de sua eficiência capitalista. Sabemos que México, Grécia, Romênia e Brasil figuram entre os países com menor desempenho econômico relativo aos demais países que se encontram no gráfico.
É possível explicar tal situação pelo fato de que a Agricultura mantém altos índices de performance em face à alta concentração latifundiária, a mecanização e informatização dos processos de produção agrícolas. Por outro lado, esse setor ainda emprega u número cada vez menor de trabalhadores, apenas mantendo índices altos em regiões onde a Agricultura ainda não atingiu o desenvolvimento tecnológico dos países que detêm tecnologias e ciência de ponta.


Referência Utilizada
The Word Bank, World Development Indicators: Structure of output, http://wdi.worldbank.org/table/4.2#.
 


 

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Da sociabilidade militar

Por Atanásio Mykonios



Por razões diversas, não nos demos conta de que o Brasil é um país militarizado desde os anos 1920. A tradição militar não é apenas a farda, a sociabilidade militar está entre nós e em nosso cotidiano. Até do ponto de vista positivista, os militares se arvoraram ao direito de chamarem para si uma missão quase civilizadora em alguns momentos, noutros, assumiram a pecha de educadores da pátria brasileira. Isso tudo deitou raízes profundas que, de alguma forma, naturalizaram a presença dos militares na vida brasileira, com direito a bandeiras e defesa constante de sua intervenção.
Parece que a maioria das pessoas não vê problemas nisso. Aliás, se lançarmos um olhar mais detido pelo mundo, veremos a escalada da militarização social e da socialização militar em todos os cantos do planeta. Aproximadamente 150 países vivem alguma forma de conflito armado, interno ou externo. Se isso não é uma guerra mundial, então teremos de rever nossos conceitos de paz. Mas não nos esqueçamos de que esse princípio socializante da onda militar é um filhote da sociabilidade capitalista em sentido de manter a sociedade sob controle da punição, ao mesmo tempo em que oferece as condições para produzir, mesmo que de forma cada vez menos eficiente, o acúmulo de capital. Aqui como acolá, as armas são parte formal e informal do nosso cotidiano, a morte, a destruição, a farda e o medo.
Nesse aspecto, a militarização se coaduna com as práticas de violência contidas na história brasileira. A escravidão foi um regime social de absoluta imposição por meio da violência, assim como todas as relações sociais e, além disso, as instituições atuam por meio da violência – não exatamente a violência pura, brutal, trata-se da violência em forma de coerção permanente. Na educação, nas famílias, nas ruas, nas repartições, nos ambientes de trabalho, a violência se reveste de mecanismos militares, não é preciso da farda, se bem que a farda cria um mecanismo de repressão psíquica.
Além disso, a suspeita permanente para com a maioria da população. Os militares são a prática do Estado, não apenas terrorista, como ação programada, é também a constituição do Estado, sua política, com a estrutura do encarceramento. O Brasil teve o maior índice de encarceramento do mundo, do ano 2000 a 2016 a população carcerária aumentou 212%, saltou de 232.755 para 726.712 presos, somente entre os homens, não contabilizadas as mulheres encarceradas. 
 

 No entanto, os levantamentos foram realizados até 2016. Portanto, dada a tendência do aumento exponencial do encarceramento, podemos inferir que essa população deve ter ultrapassado os 900 mil presos. Este mecanismo brutal encontra na militarização uma das formas mais eficientes para manter as populações sobre controle permanente, enjaulando a sociedade como um todo. A militarização é um processo social de larga amplitude, sua ideologia mantém a sociedade em camisa-de-força, tanto quanto a superexploração, estrutura da sociedade capitalista brasileira.
A sociedade mundial está sob o tacão da ordem militar, por todos os países, encontramos instâncias militares que atuam nos governos e se espalham tanto para manter a economia oficial quanto as organizações paralelas. As armas e os barões assinalam as condições da sociedade global que ruma para uma ameaça iminente – sua própria destruição.
 
Referência utilizada
WPB. Word Prison Brief. Highest to Lowest - Prison Population Total. Disponível em http://www.prisonstudies.org/highest-to-lowest/prison-population-total?field_region_taxonomy_tid=All


quinta-feira, 25 de julho de 2019

Empresas e Estado

Por Atanásio Mykonios


Empresa estatal, empresa de capital misto, empresa privada, empresa de capital aberto, autarquia, . Tudo isso está no universo econômico. A maioria não sabe a distinção. Esperar que os trabalhadores em geral lutem para defender empresas estatais é esperar muito. Não temos compreensão da dimensão estratégica de empresas em geral. Há um estudo de um amigo, Lucas Freitas, que será publicado em breve sobre o histórico das privatizações no Brasil, desde o governo militar. A sociedade brasileira sempre esteve à margem dos processos de estatização e privatização, em geral. Um dos poucos períodos de mobilização social ocorreu durante a criação da Petrobras. No geral, nossa sociedade, nós, não temos posicionamento acerca dessa questão. Importância, tamanho, valores de mercado, estratégia para o país, etc. Como bem apresentou João Bernardo, o Estado é parte constitutiva das condições gerais de produção, em outras palavras, o sistema delega ao Estado a implantação de infraestruturas necessárias para o desenvolvimento geral. Ou seja, o contribuinte é o responsável pela infraestrutura que possibilidade o capital a manter suas estruturas produtivas. Mas, objetivamente, o Estado geralmente não consulta o contribuinte, apenas procura convencê-lo de que é imprescindível "privatizar". O Estado é transformado num peso e o discurso pretende legitimar as negociatas. Há um obscuro argumento que jaz em berço esplêndido, segundo o qual, a lei deve estar a serviço do mercado, as empresas devem adquirir empresas público-estatais. O problema, no meu parco entendimento, é o fato de que o comércio entre Estado e empresas (leia-se corporações, bancos, etc.) é extenso e de longa data. Terceirizações são parte desse universo, contratação de serviços (limpeza, manutenção, energia elétrica, abastecimento, insumo etc.) são captado no mercado em geral. O Estado não produz muita coisa, mas mantém as condições para que a produção ocorra.