terça-feira, 14 de junho de 2022

Façam suas apostas!

 

 Por Atanásio Mykonios

 

Analisando a movimentação do governo em relação às eleições, especialmente quanto à questão do processo material da votação, fica muito evidente que Bolsonaro sabe que perderá as eleições. Toda atitude dele é a de um candidato derrotado. Somente alguém que sabe que vai perder ou que está na iminência de perder age dessa forma. Quanto ao golpe ou no que diz respeito às ameaças golpistas eu vejo pelo menos três alternativas que têm alguma plausibilidade

Primeiro. Evitar que as eleições ocorram. Antecipar o processo. Para isso, seria necessário suspender todo o processo eleitoral antes do pleito e não apenas para a presidência. Isso implicaria impedir que as eleições ocorram em todo o território nacional, desmobilizando a máquina eleitoral de bilhões de reais e de milhares ou centenas de milhares de pessoas e candidatos que se mobilizam nesse período. Teria de suspender antecipadamente as campanhas para deputados estaduais e federais, senadores e governadores em todo o território nacional. Não parece plausível a suspensão apenas do pleito à presidente. Isto acarretaria, sem dúvida nenhuma, uma reação em cadeia que, possivelmente nem mesmo as forças de segurança, militares e policiais, seriam capazes de conter a fúria.

A segunda possibilidade seria anular o resultado das eleições. Anular o resultado só é possível, do ponto de vista lógico, após o processo eleitoral e a publicação dos resultados. Isto implica uma decisão muito difícil, pois seria necessário decidir entre a anulação total ou parcial. Imaginemos que Bolsonaro resolva agir logo depois do resultado e coloque suas bases milicianas e militares em ação para anular o resultado. Por coerência, deverá ele anular o resultado geral, o que provocaria uma crise sem precedentes, não apenas no âmbito na presidência, mas também nos estados. Seria interessante perguntar quantos estariam dispostos a aceitar a anulação total do resultado da eleição. Suponhamos que ele tente então anular apenas o resultado à presidência, o procedimento será extremamente desgastante e suponhamos ainda que institucionalmente o país aceite recontar os votos, suponhamos mais ainda, que ao final haja dois resultados. De um lado, o resultado oficial promulgado pelo TSE e, de outro, o resultado extraoficial ou paralelo divulgado pelo esquema Bolsonaro. Como seria possível encontrar uma solução para isso? quanto tempo levaria esse processo? Os deputados eleitos, os senadores eleitos, os governadores eleitos tomariam posse ou não?

E por último, a tentativa de arrastar o máximo de tempo uma espécie de impasse, criando uma anomia institucional cujas consequências, neste momento, são absolutamente imprevisíveis. Haveria posse? Haveria adiamento? De certa forma esta tentativa contempla as duas possibilidades anteriores. A pergunta que precisa ser feita aqui é a seguinte. até que ponto os negócios no país estariam em condições de suportar uma crise dessa envergadura? Seria possível uma espécie de ucranização do Brasil?

Lembremos também que Getúlio Vargas promoveu o autogolpe em 1937, que o manteve no poder até 1945. É possível um autogolpe? Ora, ora, sempre é possível. Apenas para se manter no poder? Isto redundaria numa ditadura, não com o contorno militar, obviamente com apoio militar, mas seria a ditadura de um homem só, com sua família. Seria necessário que ele tivesse muito poder, um poder absoluto sobre um país de quase 220 milhões de habitantes. Hoje, as condições concretas e materiais não apontam para essa possibilidade.

Bem, se vocês têm outras alternativas que sejam possíveis vislumbrar, contem-me.

 

sábado, 5 de março de 2022

O subterrâneo da prostituição europeia

 

Por Atanásio Mykonios

Eu sei que este ambiente virtual não permite reflexões mais profundas sobre qualquer assunto. mas eu me atrevo a fazer uma pequena análise sobre uma realidade que está no subterrâneo das relações sociais especialmente na Europa oriental. Como é sabido, essa parte do continente europeu tem os menores índices de desempenho capitalista, desde que a União Soviética veio abaixo, os países do leste europeu sofrem continuamente, a atividade capitalista não se desenvolve como na China ou em outros países da Ásia. Uma das atividades econômicas no subterrâneo dessas sociedades é a prostituição, o comércio sexual, o tráfico de mulheres, a exploração sexual de adolescentes e jovens. Ucrânia, Bulgária, Romênia, Hungria, Rússia, Moldávia, Kosovo, são alguns exemplos onde as mulheres são vistas como passíveis de exploração sexual. Os europeus ocidentais se aproveitam desse mercado, compram mulheres, alugam mulheres, traficam mulheres. O que esse fascista de quinta categoria falou, esse imbecil Mamãe Falei, apenas revela uma realidade social que é escondida. Deveríamos tratar dessa questão sob a luz da crítica social da economia política, em primeiro lugar. As mulheres são as principais vítimas dessa tragédia econômica que reverbera nas relações sociais em geral.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

O capital é uma forma social militar

 

Interessante observar que ao longo da história do sistema do capital, as guerras sempre foram em uma quantidade muito maior. as guerras, olhando para a história do capitalismo, nunca foram capazes de abalar efetivamente um sistema produtor de mercadorias. Grandes guerras, guerras setoriais, guerras por Independência, guerras anticoloniais, guerras imperialistas, guerras por território, guerras por recursos estratégicos, guerras étnicas etc. Ao contrário, ao longo dessa história, as guerras favoreceram o capital, significa dizer que o capital e as guerras não são inimigos. O capital se vale das guerras em determinados contextos, mas também as provoca com o único objetivo de produzir mais capital. Pode não produzir mais capital para a sociedade, mas funcionalmente as guerras são importantes e são um instrumento muito eficiente de manutenção da própria lógica do capital na forma de produção de valor. Dito de outro modo, o capital precisa das guerras, de modo que a sociedade capitalista se tornou uma sociedade estratocrática. Isto é, o capital tem, do ponto de vista da sua forma social, um caráter eminentemente militar e por isso a guerra é a consequência do desenvolvimento das forças produtivas e das forças concorrenciais. Alguns países são organizados militarmente como os Estados Unidos e a Rússia. Interessante é que nesses países os governos são civis, são as máquinas de guerra as mais eficientes, como também Israel. São países organizados para a guerra.Somente em países periféricos como o nosso, é que os militares se arvoram e se arrogam no direito de impor um controle social por meio da espada. Mas, o que importa aqui é refletir que a guerra é umbilicalmente necessária à estrutura do capital. O capital é uma forma social militar.