sexta-feira, 6 de setembro de 2019

As lutas

        Por Atanásio Mykonios
 
 
             No capitalismo vivemos lutas constantes. A primeira luta é a econômica, sob a qual nós temos de enfrentar o poder e encontrar a melhor adequação à exploração, diminuí-la no que for possível ou fugir a ela saindo do capitalismo. Nesta luta, nós, ao menos no Brasil, estamos perdendo feio, nós os trabalhadores. Em seguida, perdemos feio a luta política, não tivemos condições para nos defender até mesmo dentro do sistema, agora tentamos encontrar forças para organizar estratégias sociais e políticas para retomarmos algum papel nesse processo. Por fim, parece ter restado a luta legal ou jurídica. Nesta, estamos sendo de fato perseguidos e agora com muito medo. A última luta que é a das leis leva a sociedade ao fascismo, como um mecanismo de destruição civilizadora. É nesta última fronteira das lutas – a jurídica – que se trava o fim de um processo, pois neste, vivemos patinando e passivamente tentamos encontrar alguma forma de reorganização. Cassados, vigiados, processados, ameaçados de demissões e prisões, a luta jurídica é o termo final dessa luta de classes. No entanto, ao perder a luta econômica e a política, nós não temos a quem recorrer.

sábado, 24 de agosto de 2019

A Amazônia é do capital!



 Por Atanásio Mykonios



As fronteiras agrícolas são ampliadas, gradativamente. Não há um único dia em que o desmatamento seja estancado. E para quê? Para produzir mais. Produzir grãos e carnes e explorar a terra para ouro e outros minerais.
A Amazônia nunca foi protegida no sentido ambiental como imaginamos na atualidade. Está ali, foi motivo de orgulho ufanista por algum tempo, agora o tempo urge para explorar com a voracidade necessária. As mercadorias continuam a ser produzidas em escala planetária, a ciência desenvolve novos instrumentos que avançam sobre a natureza.
Tudo isso para os brasileiros? Não. Mais de 90% do que se produz nessas regiões devastadas e para a exportação. Uma parte dos países está gritando, mas a China, até o momento, está calada. A maior parte do comércio exterior praticado pelo Brasil é realizada com a China. Insumos, carnes, minérios etc. 



O governo brasileiro instiga ainda mais a devastação, por meio de uma política bem articulada – agricultura, meio-ambiente, Itamaraty, ciência e tecnologia, agências reguladoras universidades. Além disso, as terras de proteção, as terras indígenas são parte da estratégia de acelerar a exploração da terra.
Tudo isso, bem no começo do atual governo, foi habilidosamente desmontado e em seguida rearranjado em novos moldes.
Esse mesmo governo agora afirma que a Amazônia é dos brasileiros e acusa as grandes potências de ingerência. Por outro lado, os EUA estão “mais ou menos” preocupados. Os países europeus posam de humanitários. A China fica quieta e observa o desenrolar dos acontecimentos.
Os países do mundo destinam alguns milhões de dólares para “proteger” o que não pode ser protegido nem pelos Estados nem pelos governos. O cinismo e a hipocrisia são o comportamento dessa economia desembestada.
Soja e gado, madeira e minérios são as principais commodities produzidas no interior do Brasil. Petróleo e gás nos litorais e em alto mar.
As corporações é que de fato mandam nessa bagaça toda!

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Ontem e hoje

Por Atanásio Mykonios

Ontem e hoje.

     Cresci na ditadura militar. Na minha casa nunca se falou sobre aquela ditadura. Na minha vizinhança, era como se nada disso existisse. Na escola, um ou outro comentário no banheiro ou em algum banco de jardim. Muitas pessoas que conheci, acreditavam que Paulo Maluf estava certíssimo em utilizar a ROTA para matar pobres e estes votavam em peso nesse cretino. Conversas sobre política eram sempre abafadas, mas aquela mentalidade de que eram todos os políticos corruptos era recorrente, mas os votos eram contabilizados para os partidos da situação. Mulheres, negros, gays, menores, tinham o mesmo tratamento, só que havia mais "timidez". Pessoas mais velhas nunca falavam sobre o golpe de 1964. 
     Os trens viviam abarrotados de trabalhadores e vendedores ambulantes, não se ouvia nada sobre as barbaridades dos governos. A indiferença sobre o mundo era grande. Eu só vi as pessoas se mexerem depois da ditadura, quando a hiperinflação devastou a economia das famílias e trabalhadores. Pessoas da pequena burguesia destilavam seus pequenos ódios particulares em reuniões familiares, sem nenhuma consequência, ironias furtivas recheavam o almoço de fim de semana. A esquerda era um demônio que não podia entrar na casa das pessoas. As pessoas ficam estupefatas com o grau de estupidez atual. Sim, ela é real. Mas eu vivi no meio de um ambiente tão propício à estupidez quanto agora, talvez com a diferença de que, na atualidade, a idiotice teve acesso ao universo virtual encapsulado. Antes, eram as manchetes de jornais mentirosas, hoje são Fake News, na mesma ordem de má fé. A direita e a extrema-direita sempre tiveram bases eleitorais e políticas sólidas e bem articuladas. Indígenas foram mortos às centenas e presos sem motivo algum, torturados etc. As redes sociais exercem o mesmo poder que a TV Globo exerceu quando teve poder sobre a sociedade com a maior audiência da história das telecomunicações mundiais. A gente achava que aquilo duraria para sempre. A burguesia saiu da ditadura mais rica em comparação de quando começou o regime militar. 
     O Brasil foi destruído lá como agora. Milhões foram parar na pobreza, desemprego, fome. A morte pela fome era o flagelo de imensos contingentes da população. O Brasil não era nada no cenário mundial, nem serviu de exemplo ou de estímulo para nada nem para ninguém. O Carnaval seguia em frente, as mulheres desfilavam seus corpos sob o tacão da censura pelas avenidas. A burrice era muito grande, tolerada, mas imensa. 
       Ontem como hoje.

Desmatamento em Rondônia, de 1984 a 2016